Archive for July, 2009

So much to do, so little time

So much to do, so little time. Socorro!!!!!!!!!! Alguém pode me dizer o que está acontecendo com o tempo? Onde ele está indo? Como tudo está passando tão depressa?

 

Este blog está abandonado… não por falta de querer (talvez um pouco por falta de inspiração), mas muito graças a absoluta falta de tempo. Como é que antes o tempo não passava assim tão rápido?  Mal começa a semana e já acabou, mal começa o mês e o calendário já virou? Será que estamos virando máquina? Será que temos até mesmo que deixar de lado as coisas que gostamos, como escrever nossas besteiras no blog?

 

Em verdade não é o tempo que está passando mais depressa, o tempo é o mesmo. O relógio sempre andou na mesma velocidade, um tique a cada segundo e o minuto continua tendo 60 tiques. Nossa vida é que anda caótica. Vcs já repararam na quantidade de informações que processamos durante o dia (algumas relevantes, outras totalmente descartáveis)? E como cobramos sermos super humanos cada vez mais?

 

A sociedade e, por conseqüência, nós mesmos cobramo-nos cada vez mais uma postura sobre-humana em relação à nossa vida e nossas responsabilidades.

 

Por exemplo: eu sou uma mulher típica, que trabalha o dia todo (às vezes até tarde) e lida com uma responsabilidade enorme durante o dia todo e que tem família, amigos e acesso à essa cultura pop louca e rápida e percebo no meu discurso mais pontos similares do que dissonantes em relação à mulheres em posições semelhantes à minha.

 

Todas elas convém em dizer que o stress começa logo na hora de acordar. Antes de chegar no trabalho já nos cobramos levantar cedo, tomar um bom café, pois é importante ficar saudável, arrumar o cabelo, afinal é um ultrage chegar de cabelo molhado no escritório, passar maquiagem porque olheiras são inadmissíveis, colocar a camisa impecavelmente passada, ainda que ela não resistirá passada nem ao cinto de segurança e o sapato de salto que vai torturar o dia todo, sem esquecer de verificar se o almoço, preparado na noite anterior está devidamente empacotado para evitar a junk food. Só nesse preparo foi uma hora, no mínimo. Mais uma meia hora de trânsito louco com pessoas igualmente ou mais atarefadas querendo chegar ao trabalho. Trabalhamos feito loucos, afcionados em nosso mundinho, durante no mínimo 9 horas e partimos para casa, com a falsa sensação de dever cumprido, digo falsa porque dentro de 15 minutos a auto-cobrança vai começar de novo….

 

Mais uns 40 minutos de carro para casa. Chega, tira o sapato que machucou até e bota o pé para cima? Que nada…. Garanto que 80% das mulheres no mesmo barco, depois de passar no supermercado, farmácia ou lavanderia, já chegam driblando a máquina de lavar e de secar, estressando com a poira nos móveis e sentindo-se culpadíssimas por não conseguir manter as coisas em order e depois caso decidam dar-se uma folga e recorrer ao take out para o jantar, vão sentir-se culpadas novamente por não terem dedicado tempo a perparar algo saudável e caseiro para a família que já teve, como ela, que almoçar o restô dontê ou apelar para o junk food. Acabou? Que nada…. Daí vem a sessão academia, para a onde, se ela for e dedicar o tempo a isso, vai sentir-se mal por não ter passado o pouco tempo que tem com a família, se não for também vai sentir-se mal porque está negligenciando a si própria e ela sabe que tem que ser no mínimo linda, bem sucedida, altamente profissional, mas preservar seu lado emocional e cultivar o intelectual. Depois do banho e da sessão de cremes, ainda tem que haver tempo para os jornais e para uma leitura mais profunda e também para dar atenção a seu namorado, marido etc e ser a Deusa do quarto.

 

Meu!!!!!!!!!!!!!! É impossível. Não dá. Não existe perfeição, em algum lugar falharemos. Não é a toa que o tempo passa depressa. Que horas paramos para admirar alguma coisa? Ou simplesmente para dedicar uns momentos de ócio inteiramente para nós mesmos? Quase nunca, para não dizer nunca! Quem disse que eu preciso andar de unha feita 7 dias por semana? Ou que vc não pode ficar na beira da piscina sabádo à tarde e deixar a cômoda cheia de pó e a louça dentro da lava louça? Quem disse que vc tem que trabalhar até a exaustão porque se não tiver grana para a nova Marc Jacobs será a looser do 3º andar? Na verdade ninguém, pleo menos ninguém cuja opinião importe… a não ser nós mesmos.

 

Essa semana isso caiu como uma pedra sobre minha cabeça. Estava eu mal humorada, atrasada, xingando o mundo de cão ao sair para o trabalho. Abri a porta da garagem, liguei o carro e já ía sair desembestada quando entrou na garagem um beija-flor. Imagina, eu estava num lugar não muito iluminado, com um motor ligado e sem prestar muita atenção ao meu redor, quais as chances desse passarinho tão delicado entrar na minha garagem que não tem uma florzinha, nem de plástico? Desliguei o motor e fiquei olhando o passarinho até ele ir embora e também me fui perguntando: por que eu não faço mais isso? Por que eu não tenho tempo para essas coisas? Para mim, para o beija-flor, para o meu blog, para os meus desenhos, para minhas costuras? Ahhhh, só porque eu me cobro a casa, a poira da cômoda, a comida na mesa, o creme no rosto, a meia hora de caminhada, comer 30gr de fibra, usar roupa de linho sem vinco, ir ao supermercado comprar morangos frescos, ler o último bestseller da lista do NYT, responder todos os e-mails do trabalho, e por aí vai….

 

E vc? Também anda se cobrando demais ultimamente?

O Copinho

Não esse post não é simplesmente sobre um copinho. É sobre o que o copinho representa, sobre a esbanjação de recursos e dinheiro que é tão normal para nós hoje.

Esse final de semana passado aproveitei a sexta-feira de folga para levar meu carro na Mini para um recall voluntário para instalação de alguma coisa menos poluente que tem a ver com o catalizador . Não entendo nada de carro, mas o papel dizia que era menos poluente, então lá fui eu.

A Mini aqui em Irvine fica junto com a BMW, mas tem um feel completamente diferente. Nada contra a BMW, ou os carros deles em geral, ou quem dirige um BMW. Acho os carros legais, não me entenda mal….

Mas toda vez que vou até a BMW não me sinto completamente a vontade. Acho que a concessionária não é feita para lhe deixar a vontade. Em verdade me sinto até um pouco intimidada. Em verdade, nessa última visita, é que me dei conta que grande parte do negócio da BMW é vender a idéia de possuir um BMW, vender o LUXO, a marca antes de tudo. Vender a marca antes do carro. Vender a idéia de pertencer a um grupo. E isso aqui em OC é um big big deal.

Algumas áreas da Mini e da BMW são compartilhadas, tais como o financeiro (caixa, financiamento etc), a estrutura para o cliente (salas de espera, banheiros, bebedores etc) e é impossível não transitar pelas duas concessionárias sem passar eventualmente por uma ou outra.

Mas enfim, onde se olha há um símbolo. No guardanapo de papel, no bloquinho, nas roupas que ficam penduradas a venda em todo canto, e no copinho ( que eu tive a pachorra de trazer e fotografar para este post). Aliás o copinho não é um simples copinho de papel, é um mega copinho, a caneta não é uma esferográfica comum, é uma mega caneta, o bloquinho tem que ter um acabamento em couro. Enfim, o LUXO está em todo canto. A idéia do luxo e da grana flui por todo canto.

OK. Cada um na sua. O que me deixa meio bummed aqui em OC é que tem uma galera tão grande que não tem grana para morar direito, para comer direito, vive num condo de 2 quartos com 8 curios dentro, mas tem uma beemer e uma merça na garagem. Pra que? Who cares?